O que é o Bhagavad Gita: o texto sagrado hindu

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É bem comum aos fascinados pela cultura hindu ouvir falar sobre o Bhagavad Gita, principalmente sobre sua relação com o sagrado indiano. Mas sempre vem aquela dúvida: o que é o Bhagavad Gita? Ele realmente é um livro sagrado?

Se esta é uma curiosidade sua, continue aqui com a gente que te explicamos melhor sobre ele.

O que é o Bhagavad Gita?

Bhagavad Gita significa “a canção de Deus” e é um dos livros mais importantes para a literatura védica.

O livro em si trata-se de um capítulo de um livro bem maior, o Mahabharata, que curiosamente foi considerado o livro mais longo do mundo pelo Guinness Book.

Entendendo o Mahabharata

Um dos maiores clássicos da Índia! São 74 mil versos em sânscrito e mais de 1,8 milhões de palavras. Seu nome pode ser traduzido como “a grande Índia” (literalmente “a grande dinastia de Bárata”).

A origem do Mahabharata está entre os séculos IV e III a.C., e a forma final provavelmente teve origem no século IV. Os estudiosos acreditam que os eventos descritos no Mahabharata ocorreram entre 1000 e 900 a.C., mas algumas descobertas arqueológicas recentes sugerem datas mais antigas, entre 2000 e 1500 a.C.

Para os hindus, o Mahabharata trata-se de uma narrativa real, de uma história que de fato ocorreu. A obra possui um viés mitológico, como uma lenda sobre reis e príncipes, deuses e demônios, guerra e paz, aspectos filosóficos para o povo indiano.

O livro discute as três metas da vida humana (tri-varga):

  • Kama, ou desfrute sensorial;
  • Artha, ou desenvolvimento econômico;
  • Dharma, aquilo que mantém elevado em sanscrito. A missão de vida.

Além dessas metas, o Mahabharata traz também o moksha, que é a liberação do ciclo de tri-varga e a saída do samsara, ou ciclo de nascimentos e mortes. Em resumo, o livro traz o conhecimento da natureza do “eu” e a relação eterna com toda a criação e aquilo que a transcende.

O Mahabharata de forma geral conta a história dos príncipes Pandavas e dos príncipes Kauravas, que eram todos primos, mas em um determinado momento, por motivos de raiva e inveja, uma guerra entre eles ocorreu.

É exatamente nesse momento em que a guerra se inicia, que ocorre um diálogo entre Arjuna (que liderava os Pandavas) e Krishna. Essa conversa é o que está descrito no Bhagavad Gita.

O contexto do Bhagavad Gita

Como parte do Mahabharata, o texto, escrito em sânscrito, relata o diálogo de Arjuna com seu mestre Krishna. O desenvolver da conversa traz pontos da filosofia indiana, que inclui elementos do Bramanismo e do Sankhya. O texto fala sobre a realidade. A cena é como se passasse em um único instante fora do tempo cronológico.

Os Pandavas, um dos exércitos, eram liderados por Arjuna, que tinha na história uma carruagem dirigida por Krishna. Simbolicamente isso representa o buscador sendo guiado pelo conhecimento.

Já os Kauravas, o outro exército, eram liderados por Duryodhana, considerado um homem “adhármico”, com valores distorcidos, que fazia o mal para as pessoas.

É como se a guerra fosse entre os bons e os maus. O primo bom contra o primo mau.

Ao se encaminhar para a batalha, Arjuna pediu para Krishna parar sua carruagem entre os dois exércitos para dar uma olhada. Assim ele viu no exército oposto os seus parentes, amigos e sente que não poderia lutar.

Independente se ele ganhasse ou perdesse haveria sofrimento e tristeza no fim.

E nesse exato momento, Arjuna pede a Krishna o conhecimento, uma sabedoria para saber como proceder. Assim se inicia o Bhagavad Gita.

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