Mahatma Gandhi: quem foi o líder da independência indiana

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Você provavelmente já ouviu falar sobre Mahatma Gandhi! O nome do líder pacifista indiano é frequentemente encontrado em citações de paz, livros e pesquisas sobre os direitos do povo hindu.

Continue esta leitura, para conhecer a história de Gandhi e o seu papel na independência indiana!

Quem foi Mahatma Gandhi

Mahatma Gandhi foi um líder pacifista indiano, mas sua história começou em 1869, mais precisamente no dia 2 de outubro, quando ele nasceu na cidade de Porbandar, atual Gujarat.

A família de Gandhi pertencia a casta dos comerciantes (chamada de Vaishas). Na Índia, as castas é uma forma de “organizar” a sociedade por classes a partir dos preceitos religiosos. A casta de Gandhi tinha uma forte crença no deus hindu Vishnu, que tem como linha de pensamento a não violência.

Aos 13 anos, o jovem Mahatma Gandhi teve um casamento arranjado com Kasturba Gandhi, por meio de um acordo entre as famílias, como era o costume na época.

Após alguns anos de casado, foi para a University College, em Londres, para estudar direito. Foi somente em 1891 que voltou para seu país de origem, para tentar seguir a carreira na área de estudo, mas não obteve êxito como advogado. Foi quando surgiu a oportunidade de ir para a África do Sul, por um ano, como representante da firma hindu Dada Abdulla, durante um processo judicial.

Apesar do país também ser uma colônia britânica, como a Índia naquela época, viver na África do Sul não foi fácil. Mahatma Gandhi viu e sentiu de perto a discriminação contra os hindus.

Após o fim do seu ano de trabalho, Gandhi retornou à Índia e teve conhecimento de uma lei proposta que privaria os hindus do direito ao voto. Foi quando fundou uma frente do Partido do Congresso indiano com foco na luta pelos direitos de seu povo. Nesse mesmo período que ele começou a editar o jornal “Opinião Indiana”.

De volta à África do Sul, em 1897, já com sua esposa e filhos, Gandhi novamente voltou a sofrer com o preconceito e leis discriminatórias contra a população hindu. Nesse período, Mahatma Gandhi sentiu a necessidade de lutar em defesa dos direitos do povo indiano naquela região. Ao longo do tempo, ele se tornou uma liderança para a comunidade hindu no local, e durante o período de militância, o conceito Satyagraha surgiu, que era a ideia de protesto não violento.

Princípios e pensamentos do líder pacifista indiano

Não somente pelos seus preceitos religiosos, mas também por sua própria filosofia, Mahatma Gandhi teve um pensamento muito conectado a ideia da não violência para encontrar o caminho da conquista da igualdade.

Para ele, a alma humana só poderia ser liberta (do plano terrestre) a partir de uma disciplina diária de meditação, jejuns e orações que iriam promover um completo domínio dos sentidos.

Até os tempos atuais, Gandhi é referência histórica para movimentos pacifistas ao redor do mundo

3rd November 1931: Indian leader Mahatma Gandhi (Mohandas Karamchand Gandhi), outside 10 Downing Street, London. He is in London to attend the Round Table Conference on Indian constitutional reform. (Photo by Central Press/Getty Images)

O caminho para a independência da Índia

Após o fim da Primeira Grande Guerra, o Partido do Congresso Indiano ficou mais forte e Mahatma Gandhi foi um dos líderes à frente desse movimento nacionalista. Junto a outros nomes como Jawaharlal Nahru, ele lutava pela independência total da Índia, para que o país se tornasse uma confederação democrática, e tivesse igualdade políticas para todas as raças, religiões e classes.

Gandhi foi o grande destaque nessa luta, devido às suas ações pacíficas, como marchas e manifestações, e até mesmo o incentivo à “desobediência” por parte do povo, para não pagarem impostos e boicotarem os produtos ingleses.

Em 1922, Gandhi foi detido, julgado e condenado a 6 anos de prisão por iniciar uma greve contra o aumento de impostos, que acabou reunindo uma multidão e resultando na queima de um posto policial. Em 1924 Gandhi foi liberto e se afastou um pouco da atividade política tão expressiva.

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Já em 1930, mais precisamente no dia 12 de março, Gandhi retornou com mais força à luta em prol da independência da Índia. O líder pacifista e seus discípulos iniciaram uma marcha de 400 quilômetros rumo ao litoral. A intenção era protestar contra as restrições impostas pela Inglaterra, que de certa forma obrigava os povos hindus a consumirem somente os produtos importados de lá. Os indianos chegaram a ser proibidos inclusive de extrair o próprio sal. Gandhi enxergava isso como um forte símbolo do colonialismo e sua intenção era acabar com esse monopólio.

Ao total de 25 dias, o trajeto até o Oceano Índico foi realizado, e pelo caminho, simpatizantes foram se unindo à Marcha do Sal, como ficou conhecido o protesto. Ao chegar no destino, Mahatma Gandhi colocou a água do mar em um recipiente, esperou o líquido evaporar e apanhou o sal que ali ficou. Esse simples gesto foi sem dúvidas uma forma de desafiar os ingleses, e centenas de indianos imitaram essa ação.

Os ingleses, ao se sentirem desafiados, prenderam mais de 60 mil pessoas, incluindo Gandhi. Esse movimento durou por mais 17 anos, sempre com o líder pacifista inspirando o povo indiano a desobedecer às ordens impostas pelos ingleses.

Os protestos ainda não paravam por aí. Em 1932, Gandhi chegou até mesmo a fazer uma grande greve de fome, com duração de 21 dias, que chamou a atenção de todo o mundo.

Somente em 1947, que a Inglaterra reconheceu a independência da Índia, apesar de manter os interesses econômicos.

Após um ano da conquista da independência indiana, Mahatma Gandhi foi assassinado a tiros por um hindu radical. O assassino responsabilizou o líder pacifista por uma desestruturação no governo, devido a luta entre hindus e muçulmanos que viviam naquela região e resultou na divisão da Índia por critérios religiosos. Foram 2 nações formadas: a Índia de maioria hindu e o Paquistão de maioria muçulmana.

Curiosidades sobre a vida de Mahatma Gandhi

Gandhi chegou a jejuar diversas vezes como forma de protesto. Seus jejuns chegavam a durar dias, mas um fato que poucos sabem é que o líder pacifista tinha uma paixão pela nutrição, além de uma forte desconfiança pelos alimentos processados.

Nico Slate, autor do livro Gandhi’s Search for a Perfect Diet (A busca de Gandhi pela dieta perfeita), conta que Gandhi sempre teve uma alimentação saudável como parte da rotina. Sua família era vegetariana e desde pequeno ele tinha completa atenção em cada alimento que ingeria.

A intenção de Gandhi era ser vegano e chegou a tentar na vida adulta, porém, após sérios problemas de saúde, ele foi praticamente forçado a mudar de ideia.

A experiência me ensinou que, para manter-se perfeitamente em forma, uma dieta vegetariana tem de incluir leite e produtos derivados de leite, como coalhada, manteiga, ghee etc. […] Excluí o leite de minha dieta durante seis anos. […] Mas, em 1917, como resultado de minha própria ignorância, sofri com disenterias severas. Fui reduzido a um esqueleto, mas teimosamente continuei me recusando a tomar leite ou soro. […] Na minha cabeça, só poderia tomar leite de vaca e de búfala, por que o juramento me impediria de tomar leite de cabra?”, escreveu Gandhi em seu livro The Moral Basis of Vegetarianism (A base moral do vegetarianismo).

Além de suas preferências alimentares, outra curiosidade sobre Mahatma Gandhi é a sua relação com o tecido Khadi.

O tecido era produzido na Índia e como forma de provar a auto-suficiência do país perante à Inglaterra, Gandhi promoveu a sua fiação, que também ajudou a empregar os ruralistas indianos e facilitou o boicote aos produtos ingleses.

Todo o movimento da independência indiana girou em torno da utilização de vestimentas produzidas com o tecido Khadi e a rejeição de roupas feitas no exterior. Mas esses e outros detalhes a gente te conta mais em outro texto!

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